domingo, 28 de junho de 2015

VozII 08/06/2015.

Hoje foi o dia tão esperado, o dia da apresentação de Medeia. Senti que na hora da apresentação estávamos realmente muito envolvidos em cena, ajudamos um ao outro quando um problema de cena surgia e senti que nos comunicávamos em cena. Conseguimos estabelecer um limite entre nós atores e personagens em cena, pois no momento que o Ismael esqueceu de dar a deixa, a Yule olhou para ele e o seu olhar o fez lembrar que ele tinha que falar a fala dele. Ou seja, a Yule em um determinado momento, deixou de ter o olhar de Medeia para ter o olhar de Yule. Isso é de extrema importância para o ator, saber se controlar em cena e não deixar nenhum tipo de "espírito de personagem" atuar sobre você, afinal, que atua sobre o personagem o tempo todo é o ator.

Senti que o coro de Jasão estava mais potente, havia uma parte que determinamos que iríamos fazer blablação, nos ensaios anteriores não conseguíamos encaixar a harmonia nenhuma vez, mas hoje, conseguimos. Acredito que a energia de "última hora" surgiu sobre nossos corpos e nos levou a compor personagens melhores.

Discutimos no final da apresentação sobre o público interferir na atuação do ator, o público nos contagia, querendo ou não, a energia que o ator coloca sobre cada gesto e fala muda quanto tem alguém assistindo. Nos ensaios anteriores meu corpo era mais fechado, pois eu só o apresentava para os meus integrantes do grupo, mas hoje, senti que tinha que dilatar mais o meu corpo, pois mais pessoas precisavam o ver, portanto, essa dilatação gerou uma energia que eu ainda não tinha obtido e isso fez com que eu me sentisse mais confiante em cena, gerando assim, um melhor resultado.
Acredito que a peça tem trouxe uma resultante positiva, pois conseguimos transmitir uma história com uma linguagem difícil fazendo várias dinâmicas sonoras e também corporais, sendo que a proposta aqui era trabalhar apenas voz. Concluo portanto, dizendo que no teatro tudo se relaciona, não existe um trabalho vocal que não haja um esforço do corporal assim como também não existe um trabalho corporal que não precise de um vocal, voz é corpo e corpo é voz.

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