terça-feira, 23 de junho de 2015

Aula de Teledramaturgia 13/05

Hoje filmamos a cena de Marcela e Jeferson e Anderson e Raquel. Não gostei muita da escolha que Marcela e Jeferson fizeram para gravar, escolheram uma sala de aula sendo que a cena pedia um ambiente de hospital, poderiam ter usado o biopráticas. Digo isso porque acredito no ambiente de gravação como um estímulo positivo para o ator, ele se sente mais próximo do jogo cênico.
A cena deles era a continuação da última filmagem: Eles haviam combinado um plano de roubar uma criança e a vender por muito dinheiro, porém, na hora de vender a criança, a Marcela dá um golpe no Jeferson, deixando ele extremamente furioso e louco. Eu senti mesmo que sutil, um pingo de loucura da construção do personagem do Jeferson, tem uma hora que ele arregala os olhos de uma forma que isso me deixou muito curioso para saber o que ele estava visualizando naquele momento. A voz dele também estava muito boa, ele tinha uma força de animal, acho interessante comparar cada construção com um animal ou pelo menos com o espírito que cada animal possui, pois os animais são exemplos mais puros de energia: Uma onça, por exemplo quando corre, coloca uma energia extraordinária em seu corpo para realizar tais movimentos, até mesmo uma formiga, por mais pequena e inofensiva que seja, carrega uma energia em seu corpo, a energia de construir impérios subterrâneos, carrega uma energia que nós atores também temos que carregar em nossos corpos e nossas construções.
Gosto de olhar para a Marcela e ver como ela se deixa levar pelo Jeferson, me veio na hora a imagem de um bambolê, o Jeferson seria a pessoa que manuseia o bambolê e a Marcela seria o próprio bambolê, eles se casam em sintonia e energia, e ao mesmo tempo, um deixa ser levado pelo outro em cena.

A cena da Raquel com o Anderson foi muito boa, senti aqui aquilo que não havia sentido no Lázaro, a Raquel se entregou de verdade, usou o mágico se, usou substituição com o pai dela e conseguiu chegar em uma emoção com contenção, usando inclusive como apoio interno, as palavras: "Não chore". Tento imaginar a carga e o peso das palavras sendo faladas para ela mesma (interno) durante a cena. Sabe quando estamos em uma situação constrangedora e a gente vai transbordar o choro mas ao mesmo tempo não chora, nós ficamos repetindo para nós mesmos: "Não chore porra, puta que pariu, não chora agora, vai estragar tudo". Conhecendo o compromisso da Raquel como atriz e pesquisadora, acredito que ela deve ter usado isso com muita intensidade, pois o choro em excesso não era o objetivo da proposta.

"O ator usa suas experiências pessoais para viver determinada circunstância em cena." Stanislavski

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