Vimos 3 cenas hoje, a minha com a Júlia, a da Rafaela com a Yule e a da Iasmin com o Anderson: Ao ver as cenas, percebi que todos nós aos poucos vamos nos apropriando de todos os registros já estudados, ou seja, o que tínhamos apenas em um papel como ideia passa a ser real em cena. Algo na minha cena me prendeu o olhar, eu e Júlia tínhamos um contraste cênico muito gostoso de se ver, Júlia com seu jeito todo maluco e agitado de falar/comportar e eu mais sério. Quando saímos da gravação, eu senti que não tinha dado o melhor de mim, mas hoje quando fui assistir eu vi que a cena estava o tempo todo sendo preenchida, seja através dos meus olhares, seja através das falas cômicas da Júlia, ou até mesmo através do silêncio que a cena pedia. O silêncio, ou o que muitos chamam de "pausas dramáticas" foram usadas na nossa cena, essas pausas são necessárias quando há um conflito em jogo. Talvez, se eu e a Júlia fizéssemos uma cena suja, cheia de agitações, não tinha ficado tão bom como ficou tendo esses "silêncios" citados.
A cena da Rafa com a Yule me deu prazer de assistir, as duas estavam lindas, a Rafa ficou a cena inteira no silêncio, isso significa que desde o primeiro play algo pulsava dentro dela, nem quando a voz de direção dava estímulos eu não ouvi a voz dela, dava para ver que ela estava realmente concentrada em cena. A Yule conseguiu ter uma emoção muito bonita, as vezes, o choro em excesso pode prejudicar a cena, mas dessa vez não foi o caso, pois criava-se um contraste entre o silêncio misterioso da Rafa e o chorro excessivo da Yule, não ficava cansativo de assistir, a cena inteira trazia uma verdade linda.
A cena da Iasmin com o Anderson ficou engraçada, era uma situação de pavor, onde a sequestradora ligava para o pai da vítima e dizia a ele que se ele não desse a quantidade de dinheiro pedida, o filho dele iria morrer. Porém, apesar da situação ser de pânico, a Iasmin conseguiu preencher a cena e criar um novo sentido, ela dividia o foco o tempo inteiro e isso suou natural.
Falei agora sobre algo que considero realmente importante para o trabalho do ator: Criar novos sentidos, esse criar novos sentidos surge no espontâneo, surge quando o ator divide o foco por exemplo. O criar novos sentidos faz com que o expectador se surpreenda com aquilo que ele está assistindo e isso é bom porque gera uma verdade, se o expectador se toca de alguma forma ao assistir a cena, é porque aquilo gerou verdade, simples assim.
"Não é preciso sofrer com a ideia de que é necessário compor todos esses monólogos. o que se necessita é penetrar muito profundamente no curso dos pensamentos do personagem criado, se necessita que estes pensamentos se mantenham perto e queridos para o intérprete, e com o tempo, eles surgirão por si mesmos durante a atividade" KNEBEL
Nenhum comentário:
Postar um comentário