terça-feira, 23 de junho de 2015

Aula de tópicos 12/05

Mais um dia de filmagem, hoje assistimos a cena do sequestro sendo gravada e confesso que de todas as cenas já gravadas, essa é a que eu mais estou ansioso para assistir. Os meninos arrebentaram na escolha do ambiente de cena, escolheram um lugar onde era completamente escuro e silencioso, ajudando assim, o processo de filmagem.

Gostei muito da parte da Raquel, ela tinha um tom psicopata, dava para ver que o interno dela estava sendo preenchido com algo bom, além disso, percebi que ela estava dividindo o foco com uma lanterna, aliás, todos os atores estavam dividindo o foco com uma lanterna, pois a lanterna fazia parte da cena e eles mesmos se iluminavam. Fiquei imaginando que no momento que cada um estava falando, ao mesmo tempo eles falavam coisas do tipo: "tenho que iluminar ele agora" ,"Meu Deus, ninguém ta iluminando ele", "Tem duas pessoas iluminando a mesma pessoa".

A parte do Lázaro foi a mais difícil de gravar, o grupo tinha escolhido ele para desenvolver a emoção com contenção, por esse motivo, ele tinha que ter ido para a cena mais preparado para chegar onde se esperava. Dava para ver que o que ele estava usando como interna estava funcionando em partes, pois ele conseguiu sim, chegar a uma emoção, porém, nos outros momentos da cena, ele estava muito tranquilo, faltou ter usado o "mágico se", faltou ele ter escolhido outros apoios para se sustentar nos outros momentos da cena. Por exemplo, quando ele acorda e percebe que está em um lugar escuro e que foi enganado pelas pessoas que ele confiava e amava, na minha opinião, ele ficou muito tranquilo, a voz dele estava muito tranquila, a cena não mostrava verdade ao público, era a mesma coisa que fazer uma cena onde você chega em casa, vê o seu pai morto no chão e age como se nada tivesse acontecido, na minha opinião, o Lázaro, em alguns momentos agia como se nada estivesse acontecido, dava para ver que ele não estava presente em cena. A Kenebel em uma de suas passagens, fala justamente sobre isso, ela diz:

"É preciso que o ator introduza profundamente no mundo do personagem. É preciso que o ator em cena saiba pensar como pensa o personagem criado por ele" KNEBEL

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