Hoje assistimos pedaços de dois filmes levados para a aula, os filmes levados tinham que conter um desses registros: imobilidade, sujeira, visualidade do pensamento, emoção com contenção, naturalismo e fala interna. Vimos que nos dois filmes que assistimos os atores não usavam apenas um registro, eles se apropriavam de vários. Por exemplo, no filme que a Iasmin trouxe, ela falou que tinha levado aquele pedaço por ele conter emoção com contenção, mas além da emoção, a visualidade também estava presente no corpo do ator, mas dessa vez, não era uma visualidade de pensamento, mas sim de imagem. Ficava nítido que o ator usava algo muito forte espiritualmente falando, para fazer o que ele fez em cena, os olhos dele estavam nítidamentes preenchidos por algo forte. Percebi que o olho dele estava igual tanto no momento que ele vê o acidente da mulher dele e no momento que ele vê a mulher dele dentro de um quarto de hospital. Acredito muito na possibilidade dele ter usado a mesma imagem para compor as duas cenas, e ai entramos em uma discussão: O ator deve sempre se renovar! Essa frase é muito clara para os atores contemporâneos, nós estamos sempre em um ciclo de mudanças e reincorporações, é legal quando o ator usa imagens diferentes para compor a mesma cena, imagina em cenas diferentes. O expectador fica curioso, ele fica tentando desvendar o que o ator está pensando ou imaginando na sua bagagem de registros internos.
O segundo filme foi "Os coristas": A Raquel trouxe o filme como um exemplo de imobilidade, porém, além da imobilidade o protagonista usava um registro que podemos nomear como sendo um "nada". É fácil montar uma cena e um sentido em cima de um nada porque o expectador vai ver justamente o que está ali. Vamos comparar como exemplo, um ator que usa o registro do "nada" e consegue manter esse registro até o final da cena, com um ator que trás um registro de sujeira. Na minha visão, quando o ator usa a sujeira em cena ele trás junto com esse registro vários sentidos, se o ator coça a cabeça ele pode dizer algo, se o ator faz um gesto com a boca ele pode dizer outra coisa, se o ator dá umas reboladas quando está em casa sozinho por exemplo, ele pode dizer outra coisa. Portanto, cria-se na cabeça do expectador, várias perguntas como: "Porque ele está fazendo isso?", "Será que ele coçou a cabeça porque ele está nervoso?", "Será que ela está mordendo a boca porque ela está com raiva?". Já o ator que trás o registro do "nada", não cria na cabeça do expectador essa sequência de perguntas, pois o expectador vê aquilo que está em cena, no filme por exemplo, o menino conversava com o professor e nós, expectadores, víamos que ele estava conversando com o professor, não havia movimentos excessivos para nos perguntar o porque daquele movimento. Porém, a pesar de ser um registro, que como o próprio nome diz, é um "nada", tal registro não é fraco para o cinema, porque é um registro que causa um certo tipo de admiração, em vez de eu me questionar ao assistir o protagonista desse filme, eu ficava afirmando coisas na minha cabeça, eu dizia coisas como: "Gente, mas esse menino não fala nada", "Gente, que coisa estranha"...
Levantamos aqui portanto, uma breve discussão sobre o que o registro causa no expectador. Chegamos a conclusão, de que cada registro pode causar algo diferente e é a particularidade e singularidade de cada registro que faz com que o cinema se mantenha vivo e verdadeiro para quem o assiste.
"Sabemos que os pensamentos pronunciados em voz alta são só uma parte dos pensamentos que surgem no consciente humano. Muitos deles não são pronunciados; e quanto mais comprimida é a frase produzida por grandes pensamentos, mas saturada estará, maior será sua força." KNEBEL
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