terça-feira, 23 de junho de 2015

Aula de Tópicos 02/06

Depois de nós termos trazido registros de filmes para análise de grupo, hoje, nós voltamos a analisar as nossas cenas filmadas e começamos um debate sobre o que foi usado em cada cena para sua construção.

Na cena da Marcela e do Jeferson, eles usaram o que podemos chamar de "apropriação". A Marcela se apropriou do nervosismo dela para a construção do personagem e o Jefersou se apropriou de registros que já estavam presentes no corpo dele, pois ele fez uma cena com a Naiara uma vez que ele tinha que se irritar muito, como aquilo já estava vivo no corpo dele, ele trouxe mais uma vez para a cena. O Jeferson tem algo muito interessante e que acredito que todos nós temos um pouco também, que é achar que nunca usamos fala interna. A visualidade de coisas é mais fácil para construir, agora a fala interna é um pouco mais difícil. Ele diz não ter usado fala interna, mas ao mesmo tempo, ele falou que no momento da cena dele, ele ficava olhando para as coisas que estavam no ambiente, ou seja, se ele olhava para o chão, o cérebro dele identificava aquilo como sendo chão, portanto, sua fala interna naquele determinado momento foi "chão.

A cena do sequestro foi a que mais deu trabalho para editar segundo Rejane, podemos destacar nessa cena, a importância que a edição tem para um filme, pois houve um momento na cena do Lázaro, que a Rejane ficava dando estímulos para ele na hora da cena, quando ela editou, ela tirou aquele som e colocou outro por cima. Um outro fator importante que também ressalta a questão da edição no cinema, foi o fato de o Lázaro ter demorado um bom tempo para conseguir chegar a emoção com contenção, esse tempo que ele demorou não tem problema, porque a edição corta esse tempo e faz com que ele tivesse com a emoção ali, presente o tempo todo no corpo dele, mas sabemos que não estava. O Lázaro disse que começou a usar a fala do outro para se estimular em cena, acredito que ele deve ter pegado a parte da Carol e colocado mais ênfase, talvez, seja por eles ter um contato maior.
A cena da Yule com a Rafa, como eu estou sempre dizendo, é uma cena que trás um contraste bonito de se ver, a Yule falou que o que estimulou ela a chorar foi o fato de ela ter usado um registro que a Rafaela trás corporalmente falando e usado também, a substituição. A Rafa disse ter usado o toque da direção para estimular sua emoção, acredito que o que ajudou aqui foi o tempo que a Rafa levou para construir a emoção dela, nesse caso e direção optou por não cortar a cena, a edição não cortou a cena por ela está muito longa, porque aqui, a cena se encaixou de forma bela com a construção que a Rafa fazia.

A cena da Sarah e da Naiara também tinha um contraste em jogo, a Naiara ria e a Sarah ficava séria, concentrada em sua emoção. A Naiara disse ter usado a apropriação do corpo da colega para compor seu riso (espontâneo naquele momento. Aqui, o jogo falou mais alto que a construção das meninas.) Já a Sarah além de ter usado divisão de foco com o celular, disse ter usado fala interna, substituição e visualidade do pensamento.

"A intuição é sempre tida como sendo uma dotação ou uma força mística possuída pelos privilegiados somente. No entanto, todos nós tivemos momentos em que a resposta certa “simplesmente surgiu do nada” ou “fizemos a coisa certa sem pensar”. Às vezes em momentos como este, precipitados por uma crise, perigo ou choque, a pessoa “normal” transcende os limites daquilo que é familiar, corajosamente entra na área do desconhecido e libera por alguns minutos o gênio que tem dentro de si." -Viola Spolin.

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