Hoje mostramos as nossas cenas na abertura de processo, vou concluir este último relato falando um pouco da minha experiência nessas aulas e como me sinto hoje depois de ter passado por tudo que passei com a minha turma.
Primeiramente, gosto de falar que o trabalho do ator nunca é sozinho, nós estamos sempre nos relacionando uns com os outros, e quando a gente encontra pessoas de bom coração para se relacionar, o trabalho sai melhor ainda. Durante todo o processo das aulas de tópicos e de teledramaturgia, eu sentia que a nossa turma estava cada vez mais unida, unida em ajudar o outro com o figurino, lugar de trabalho, ajudar com o roteiro, ajudar com a construção do personagem e tudo mais. Lembro quando íamos filmar e ficávamos escondidos para não atrapalhar a cena do outro, a gente se contagiava junto com quem estava em cena mesmo não estando em cena, a gente torcia para que a cena do outro desse certo mais do que as pessoas que estavam em cena, a gente chorava junto, ria junto e crescia junto.
No começo, não via importância em muitas coisas que fizemos ao longo do processo, mas hoje percebo o quão importante foi nos esforçarmos para cada coisa acontecesse. Percebo hoje que ser ator é muito mais que entrar em cena, ser ator é se pesquisar, é se emocionar, é crescer, se descobrir e se reinventar, ser ator é produzir sentidos e causar conflitos também. Ser ator é nada mais nada menos que brilhar. Brilhar em todos os sentidos, brilhar com todo seu espírito e carga emocional, ser ator é dar o melhor de si.
Percebo que a teoria nos foi muito válida, a teoria andou sempre junto com a nossa prática do dia a dia, sempre que íamos construir nossos arranjos no papel lembrávamos do mágico se de Stanislavski ou até mesmo das substituições de Hagen e visualizações de Kusnet.
O que tenho pra falar como conclusão é:
Cresci.
E cresci com gosto, mesmo com minhas dificuldades na ação da fala interna, acredito que consegui me apropriar dos elementos teóricos, e transgredi-los para minhas vivencias, como na apresentação de Édipo, onde coloquei fala interna; então saio por satisfeito esse meu incio de me fazer um ator pesquisador; acredito que estou no caminho certo. .
"A substituição (...) é o aspecto do trabalho que fortalece sua fé e senso de realidade. É uma maneira de produzir ações pessoais. Particularizar (...) Posso tornar particular um objeto, uma pessoa, um fato, etc, ao examinar o que existe, e decompô-lo em detalhes. Como exemplo, simples, vamos pensar num cinzeiro. (...) Vou torna-lo particular ao lhe conferir qualidades que ele não possui, fazendo substituições. Eu, então, o transformo em cobre de verdade, penso que veio da Tiffany e que é mais pesado do que parece, e até pareceria melhor se fosse polido com cera. E, se necessário, posso até torna-lo mais particular, encontrando algumas atribuições ou substituições psicológicas: meu marido o deu para mim na semana passada." HAGEN
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