terça-feira, 23 de junho de 2015

Aula de tópicos dia 05/05

Hoje começamos a gravar, as cenas que foram gravadas foram a minha com a Júlia e a cena da Yule com a Rafaela. Confesso que foi mais difícil do que pensei. Rejane repediu as cenas várias vezes. A cena começa comigo rezando ajoelhado perto de uma santa, depois, eu vou para o cômodo escondido da igreja e Júlia chega logo depois de mim.

Fiquei muito nervoso quando Rejane abriu a câmera, ela colocou a câmera muito perto do meu rosto e aquilo me deixou agoniado, usei "Afasta essa câmera" como fala interna. Outro momento que me lembro de ter usado fala interna na hora, sem planejar nem nada, foi quando a Júlia tinha que cuspir o chiclete na minha cara e eu sempre usava a mesma fala interna: "Cospe logo", aquilo me intrigava, porque a Júlia nos nossos ensaios não queria cuspir, e eu falava pra ela que não tinha problema, portanto, essa fala interna acabou surgindo "do nada". Ta aqui um ponto que pode ser levantado questões: Por que a fala interna surge do nada? Nesse momento, acredito que algumas falas internas surgem do nada porque nós, já estabelecemos algo anteriormente para aquilo acontecer. Por exemplo, quando sonhamos, nosso corpo está inconsciente, porém, alguns pesquisadores mencionam o fato de sonharmos com algo que sempre pensamos ou algo que vimos durante o nosso dia a dia. No caso das falas internas espontâneas, acredito que seja algo parecido. Afinal, quando eu estava construindo o meu texto interno, eu ficava pensando o que eu faria se a Júlia não jogasse o chiclete na minha cara. Portanto, já havia um registro de preocupação no meu corpo para gerar tal fala interna. Porém, acredito também nas falas internas espontâneas sendo estimuladas por algo da hora mesmo, como aconteceu com a "Afasta essa Câmera". Essa fala interna veio a partir do jogo,, não havia estimulado nada do tipo antes de entrar em cena. Portanto, a partir dessas observações, chego a conclusão que o caminho para o desenvolvimento das falas internas é amplo, é um caminho cheio de ruas e trajetos, podemos chegar a elas de diversas formas, basta a nós atores, praticarmos e descobrirmos quais vão se adequar melhor a nós.

Falando agora da emoção com contenção buscada, eu confesso que apesar de não ter derramado lágrimas, algo forte pulsava em mim, eu queria muito pegar a Júlia e sacudir ela, mas ao mesmo tempo, tinha que seguir um roteiro, tinha que controlar aquele turbilhão de sensação que estava dentro de mim. Senti algo vivo em mim hoje, algo que tentarei buscar em cada nova experiência, usei meu monólogo interior para sustentação da cena e acredito que isso também ajudou minhas emoções pulsarem fortes dentro de mim.

Um outro fator que pode ter ajudado tanto a mim e tanto a Júlia em cena foi o ambiente da cena, pois estávamos realmente no lugar que a nossa cena pedia, portanto, estávamos ainda mais próximos do real, daquilo que se faz verdade e transborda verdade.
A outra cena gravada foi a cena da Rafa e da Yule: Eu gostei muito da energia que as meninas colocaram na cena delas, eu não sei exatamente o que elas usaram para fazer pulsar tudo o que dava para ser visto, mas sei que usaram algo forte, pois a cena delas tocou todo mundo.

"Temos que fazer essa transferência, essa descoberta do personagem, dentro de nós, por uma série continua e sobreposta de substituições, a partir de nossas próprias experiências e lembranças, pelo uso da extensão imaginativa das realidades, e colocá-las no lugar da ficção da peça" HAGEN

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