Hoje foi nossa apresentação, fiquei surpreso com a quantidade de gente que foi nos assistir, isso me deu um gostinho de querer dar o melhor de mim e pra ser sincero, eu senti que minha energia estava toda concentrada para dar o melhor de mim, na hora do espetáculo eu não vi ninguém, via apenas o que estava acontecendo na cena.
Achei que todos deram o melhor de si, a parte do Ismael estava mais segura, nos últimos ensaios ele ainda não tinha decorado o texto, pra falar a verdade, a cena dele pedia que ele realmente lesse o texto, mas hoje deu pra ver nitidamente que ele estava lendo com gosto, de forma que nos outros ensaios não consegui sentir isso.
Senti que minha cena estava bem composta, havia ritmo, pausas, corpos ativos e falas bem projetadas, eu gosto da parte que todos os Édipos chegam até a frente do palco, viram até mim e falam: "Responda!" Sinto que os meninos colocaram energia e projetaram bem a voz. Aqui está uma questão que nós discutimos muito e que a Lara sempre falava com a gente nos ensaios, falava para nós não gritarmos, mas sim, projetarmos o som. Quando abrimos mais espaço para o ar passar por nós, o som sai com mais facilidade, sem ter que agredir as pregas vocais.
De um modo geral, me sinto feliz pelo dia de hoje, passamos pela dificuldade de encontros e desencontros, lidamos com um tipo de direção que requer um trabalho maior nosso, afinal, tudo foi construído de forma coletiva, o texto foi sendo construído durante as aulas, o espaço e imagens desse espaço também foram construídos durante a aula e até mesmo a escolha dos personagens foi feita durante os nossos encontros, pois a Lara chegou com uma proposta de personagem para cada um, mas antes disso, ela já tinha ouvido as nossas vozes debatendo o texto, nós também já tínhamos passado por alguns personagens antes de montar o esqueleto da peça em si.
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