domingo, 28 de junho de 2015

Interpretação 28/05.

Hoje foi o último ensaio antes da apresentação e senti que uma verdade havia se instalado na peça e em nossos corpos, consegui senti compreensão em todas as cenas, confesso que no começo o texto era muito difícil para mim, eu não conseguia entender o que nós montávamos, entendia menos ainda o texto. A partir dos momentos que Lara conversava com a gente e nós fazíamos nossa roda de debates, eu fui entendendo aos poucos. Hoje, posso dizer que compreendo a peça, mas o mais interessante disso tudo, é que montar um espetáculo é como ler um livro várias vezes, você sempre descobre coisas novas, a cada lida/ensaio você percebe algo na sua voz, corpo ou até mesmo espaço de cena, que antes não tinha percebido.

O começo: O começo da peça é uma parte marcante, pois além de estarmos com a energia em alto nível, o contato com o público nos toca de alguma forma, e só o fato de imaginar que vai ter um público na minha frente, bem perto de mim, isso me faz sentir ainda mais vido. Nessa parte, eu procurei ficar perto de uma parede e usar ela ao meu favor, a sensação que eu sinto ao tocar esta parede é como se ela me servisse de alguma forma como um apoio, um apoio que se não estiver ali eu morro.

A entrada das Jocastas: Gosto bastante do ritmo que as Jocastas colocaram em suas vozes e corpos, elas tem uma sincronia incrível, olhando de fora, dá pra realmente perceber o efeito que a gente queria causar: Enquanto uma fala, as outras fazem um tipo de "dublagem", para causar um efeito de estranhamento e dispertar um certo tipo de curiosidade no público. Gosto quando o público se toca de qualquer forma, seja para sentir curiosidade, raiva, alegria ou medo, se o que nós fazemos toca o público, é porque a verdade foi transmitida.
Os Édipos de uma forma geral: Gosto de todos os Édipos, sinto que cada um tem sua particularidade, a Iasmin por exemplo, é um Édipo que me transmite força, o Jeferson é um Édipo mais calmo, e a Sarah e a Yule estão no meio termo, elas possuem momentos de fúria, mas também possuem momentos de calmaria, causando um equilíbrio à composição delas.
O final: O final da peça está muito interessante, percebo que criamos um certo tipo de tempo que não tinha percebido nos outros ensaios. Há um momento de fúria total do Édipo, onde todos me reprimem e tentam arrancar informações de mim, e há um momento de calmaria junto a um tom de suspense e pânico, que é o momento que Édipo se cega. No momento que o coro grita comigo, eu absorvo toda aquela energia e guardo em mim, sinto que essa energia se reverbera em meus olhos.

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