Da peça inteira, eu gosto de duas cenas em específico. A cena inicial onde há uma mistura de loucura, gritos, surtos e a cena onde Tireses sobe em um pedestal. Gosto dessas duas cenas porque vejo nelas um trabalho de corpo que desenvolvemos antes dos ensaios. Na cena inicial, todos os sons que nós usamos já haviam sido pesquisados e começados a serem construídos em um exercício que a gente usou em sala, onde a professora falava um lugar e nós tínhamos que produzir sons que nos remetessem a esse lugar. Na cena de Tireses no pedestal, o exercício que me vem a cabeça é o do animal, onde todos tinham que incorporar um animal em mente e corpo.
Olhando para a imagem dessa cena, eu consigo ver imagens de "bichos estranhos", essa imagem talvez pode ter sido construída sem nós mesmos perceber, a partir desse exercício, além disso, tínhamos uma energia que me lembrava a energia que os animais possuem na selva, olhos de animais e espíritos de animais.
De um modo geral, acredito nessa peça e isso faz com que eu consiga dar o melhor de mim, acho uma falta de respeito com o grupo, quando alguém falta ou quando alguns integrantes do grupo não se concentram para a elaboração do trabalho. Se a gente sabe que o resultado será coletivo, por que não desenvolver o trabalho de uma forma coletiva também? Não há mal nenhum nisso, se cada um de nós carregasse o mesmo peso de importância que a peça tem em ser construída em boa qualidade, tenho certeza que o resultado será bem melhor.
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