Começo o relato de hoje intrigado com algumas situaçãos, no começo dos ensaios nós vivíamos reclamando que não tínhamos espaço para ensaiar, falávamos que uma sala de aula não é local de trabalho do ator, uma sala de aula apertada não conseguia nos inspirar e motivar para uma boa resultante. Pude perceber hoje que tudo que a turma como um todo pensava e falava era importante, mas não era só o espaço que nos atrapalhava, nós mesmos nos atrapalhávamos, pois hoje ensaiamos a peça aonde será a apresentação e nada de bom foi acrescentado, não estávamos concentrados e nossos espíritos não estavam presentes em jogo. Isso me faz pensar, que qualquer lugar do mundo, até o mais empoerado, pequeno, sujo que seja, qualquer lugar ajuda se os atores estiverem realmente dispostos a levantar uma peça.
Discutimos algo na aula teórica hoje que gostaria de fazer uma comparação com o nosso ensaio de hoje. Tchekov afirma que o ator tem que passar por uma série de leis para uma composição. Uma dessas leis, é a triplicidade, que é o gesto tendo um início, meio e fim. Os movimentos feitos por nós hoje estavam todos soltos, não tinham sintonia e muito menos triplicidade, só consegui sentir isso na personagem composta pela Raquel, pois tanto sua entrada, permanência e saída de cena estavam marcadas, dando assim, um sentido verdadeiro aquilo que estava sendo produzido ali.
Na minha opinião, um estudo teórico é sempre bem vindo antes de um ensaio, embora a gente tenha tido esse estudo teórico hoje, não conseguimos nos apropriar dele em cena. Eu como não tenho muitas falas, já consegui decorar as minhas, portanto, consigo me manter mais concentrado e disposto a reconstruir um corpo a cada dia, afinal, os ensaios são para isso.
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